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    <title>helio braga</title>
    <link>http://www.heliobraga.com/h/blog_%28brasil%29/blog_%28brasil%29.html</link>
    <description>Embora formado como ator, Helio Braga desenha constantemente desde criança.&lt;br/&gt;Inteiramente auto-didata, ele nunca estudou anatomia acadêmica.&lt;br/&gt;Todos seus estudos do corpo humano são resultado de observação e exploração no universo da arte.&lt;br/&gt;Em seu trabalho há evidência nítida de lúcidas contorções da figura humana.&lt;br/&gt;Hoje ele passa muito tempo em Paraty, lugar que visitou pela primeira vez em 1967.&lt;br/&gt;Em 1969, depois de uma breve permanência na Itália-onde descascados afrescos pompeianos e cenas de termas romanas formariam a profunda impressão presente até hoje em seu trabalho – Helio retorna a Paraty, onde viveu por mais de 20 anos e para onde volta – sempre que pode – mesmo atualmente residindo no Rio.&lt;br/&gt;Após assinar as pinturas corporais dos filmes “Como era gostoso o meu francês” de Nelson Pereira dos Santos e “Anchieta José do Brasil”, de Paulo Cesar Saraceni, trabalha com cenografia e arte plumária.Ao longo de sua carreira, o corpo se manifesta como raiz da sua arte; o corpo erótico e sensual, as vezes clássico, exala delicadas atmosferas de desejo, nunca explicitamente sexuais.&lt;br/&gt;Em 1972, passa dois anos no Peru, onde a civilização pré-Inca Nasca, forneceria outra forte influência, presente ainda hoje em seus trabalhos mais recentes.&lt;br/&gt;Além de trabalhar com tela e tecido, Helio realizou vários murais. Atualmente, seu material preferido é o nanquim, utilizado nas infinitas texturas do papel, o que sugere em seu desenho o efeito de ideogramas chineses. Guiando-nos para além do virtuosismo, quase cancelando o próprio traço. Helio exprime com maestria volumes e movimento.&lt;br/&gt;Entre a variedade de influências que transparece em seu trabalho destaca-se a atmosfera velada das termas clássicas.&lt;br/&gt;Entretanto, seus classicismo não faz referimento a estupros, raptos e violência, mas à folia e bacanal, onde a sensualidade é uma constante celebração.&lt;br/&gt;Não há angústia expressionista em seus nus.&lt;br/&gt;O artista, explorando compulsivamente o corpo humano em todas suas contorções e enigmas, nos remete com frequência à tradição clássica.&lt;br/&gt;Em seu traço enganosamente simples, porém firme e intenso, ela capta com virtuosidade fulminante o contorno de um pé, o volume de um dorso ………….&lt;br/&gt;Helio explora a riqueza formal de um restrito  universo de significados.&lt;br/&gt;Numa época em que se espera do artista uma atuação múltipla com diversas linguagens, Helio elabora meticulosamente um universo unívoco que manifesta porém combinações infinitas: um universo de sereias lacívas, centauros malvados, Ganimedes e faunos. Temas que talvez pareçam gloriosa e encantadoramente “démodés”.&lt;br/&gt;Entretanto, ao nos deliciarmos com a arte de Helio Braga, temos pelo menos desta vez, o privilégio de podermo-nos contrapor a imperante modismos culturais confrontando-nos com a idealidade de uma estética esquecida.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;texto de roger winstanley&lt;br/&gt;</description>
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      <title>poema de carlos emilio c. lima inspirado no trabalho de helio braga</title>
      <link>http://www.heliobraga.com/h/blog_%28brasil%29/Entries/2008/6/9_poema_de_carlos_emilio_c._lima_inspirado_no_trabalho_de_helio_braga.html</link>
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      <pubDate>Mon, 9 Jun 2008 13:38:55 -0400</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.heliobraga.com/h/blog_%28brasil%29/Entries/2008/6/9_poema_de_carlos_emilio_c._lima_inspirado_no_trabalho_de_helio_braga_files/sereio1_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.heliobraga.com/h/blog_%28brasil%29/Media/sereio1_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:174px; height:172px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Sim:&lt;br/&gt;não são os corpos que se juntam,&lt;br/&gt;mas o que dentro dos olhos,&lt;br/&gt;partícula abissal,&lt;br/&gt;tenta voltar a si mesmo&lt;br/&gt;e é coletivo, e é geral.&lt;br/&gt;Cenas de meteorologia mitológica,&lt;br/&gt;movimentos enredados com o abstrato,&lt;br/&gt;indizível.&lt;br/&gt;Cantares desenhados na velocidade da alma&lt;br/&gt;Alfabetos, ideogramas , os corpos procuram alcançar amando-se&lt;br/&gt;Rapazes:&lt;br/&gt;Rapazes que gostam de rapazes é o sol.&lt;br/&gt;Os corpos se libertaram do espaço.&lt;br/&gt;Estão em Creta!&lt;br/&gt;Tritões de sonhar acordado.&lt;br/&gt;Impressos de pele&lt;br/&gt;sargaços sobre o papel&lt;br/&gt;A mesma face é inúmeras&lt;br/&gt;E os sexos lumem,&lt;br/&gt;os cabelos ondulados contam as narrativas do  mar...&lt;br/&gt;argonautas de longe&lt;br/&gt;elementais quando próximos&lt;br/&gt;escritos num beijo-rascunho.&lt;br/&gt;Os olhos se procuram mais que os corpos com seu impulso de peixe?&lt;br/&gt;Serão os grossos arabescos,&lt;br/&gt;os crayons fortíssimos, aquecidos na ação,&lt;br/&gt;o risco de prazer,&lt;br/&gt;o gráfico-dizer do que eles fazem ao ultrapassar o desenho?&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;O desenho se autodesenhando,&lt;br/&gt;um perfil de caligrafia&lt;br/&gt;docemente declamada.&lt;br/&gt;O efebo é anfíbio,&lt;br/&gt;gráfico lampejo escrito com suor delirante&lt;br/&gt;lambido de lira&lt;br/&gt;no sal e fulgor...&lt;br/&gt;Posições difíceis de acrobata onírico&lt;br/&gt;o desenho é sempre&lt;br/&gt;depois do salto do pensamento marinho     &lt;br/&gt;pintura com pincéis ágeis de algas,&lt;br/&gt;pentelhos de ouro de mirmidão&lt;br/&gt;escamas centelhadas.&lt;br/&gt;Só o branco atordoar dos olhos,&lt;br/&gt;onde neles se inscreveu&lt;br/&gt;um lugar sagrado&lt;br/&gt;pérola mágica do olhar...&lt;br/&gt;Desenhos-labareda com a linha do horizonte dos corpos&lt;br/&gt;Desenhos-tchibum! com a baba do mar.&lt;br/&gt;Incisões solares das marcas de peles arcaicas&lt;br/&gt;de herméticos corpos  jovens do futuro ainda mais arcaico.&lt;br/&gt;Visíveis, os halos de cor terrestre,&lt;br/&gt;terra tornada luz e seqüencia.&lt;br/&gt;O que é o corpo humano perfeito?&lt;br/&gt;A transfiguração.&lt;br/&gt;Os gestos modulados, arquétipos,&lt;br/&gt;as posições que assumem,&lt;br/&gt;são o gradiente, o que interessa,&lt;br/&gt;este ser-se o corpo sem pressa&lt;br/&gt;dizendo algo denso, inefável&lt;br/&gt;para sempre em aberto,&lt;br/&gt;linha que não termina...&lt;br/&gt;Mas, os olhos! Ah! Os olhos!&lt;br/&gt;As bocas! Os narizes!As coxas!&lt;br/&gt;E o que dizem os pés imitando o pensar das mãos?&lt;br/&gt;O que?&lt;br/&gt;Há algo de eternamente grego em todos eles,&lt;br/&gt;desenhos que só podem ser gerados nas ilhas.&lt;br/&gt;Esboços nas areias densas das praias de Creta&lt;br/&gt;Desenhos ditirâmbicos&lt;br/&gt;de um fauno que bebeu o destro elixir,&lt;br/&gt;as camadas de tinta,&lt;br/&gt;os halos,&lt;br/&gt;reflexos de super-esponjas&lt;br/&gt;Meninos prestes a levantar vôo&lt;br/&gt;com a carícia do amado,&lt;br/&gt;já articulando gestos de pássaros.&lt;br/&gt;Desenhos psicográficos de um pintor que viveu proliferações&lt;br/&gt;mais do que desenhou - há milênios! - os contornos de todas as ilhas do mar Egeu.&lt;br/&gt;Um pintor que veio do fundo do mar&lt;br/&gt;para fundar novas formas de amar.&lt;br/&gt;As pátinas efêmeras, esfregadas com asas de um pássaro de luz cantabile&lt;br/&gt;O menino, o cavalo e o desenho andando de luz num orgasmo&lt;br/&gt;sobre os fundos das cores universais, &lt;br/&gt;tudo em passo de dança dourado langor&lt;br/&gt;na agilidade móvel-ondulante, velocidade-do-sol-molhada-de-mar,&lt;br/&gt;desenhos guiados pela orla essencial,&lt;br/&gt;pelo espaço do canto do olho coribântico:&lt;br/&gt;fotografias desenhadas por algas fortíssimas&lt;br/&gt;de tintas imensas do mar,&lt;br/&gt;tintas-fontes do mar.&lt;br/&gt;O carinho desses corpos vem bem do centro.&lt;br/&gt;Halos que lhes afagam-nos  não calam&lt;br/&gt;essa luz florescente.&lt;br/&gt;Uma época de felicidades numa ilha aérea e isolada,&lt;br/&gt;suspensa pupila do sol. &lt;br/&gt;Eles, os rapazes ,  ali,&lt;br/&gt;ali,eles se tocam&lt;br/&gt;como instrumentos de corda,&lt;br/&gt;divinos&lt;br/&gt;e esta música é o desenho desse corpos,&lt;br/&gt;os olhos tão brancos de cor&lt;br/&gt;e a tentação dos eflúvios&lt;br/&gt;rondando&lt;br/&gt;rondando,&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;Afrescos de um palácio&lt;br/&gt;submerso nos sonhos do sol.&lt;br/&gt;Os olhos do sol então sempre marítimos,&lt;br/&gt;suas pupilas,  a Terra.&lt;br/&gt;Seus olhos de efebo infalível, desenhista&lt;br/&gt;São  os olhos santos de Hélio&lt;br/&gt;Somente um mergulhador poderia fazer desenhos&lt;br/&gt;tão leves,&lt;br/&gt;que mais parecem aromas,&lt;br/&gt;Desenhos-carícias de um Proteu&lt;br/&gt;infinito através de todos os seus copos&lt;br/&gt;vivos se amando num elo...&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;Carlos Emílio C.Lima&lt;br/&gt;Fortaleza, 2 de maio de 2006 &lt;br/&gt;</description>
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      <title>helio braga (português)</title>
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      <pubDate>Tue, 27 May 2008 13:36:52 -0400</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.heliobraga.com/h/blog_%28brasil%29/Entries/2008/5/27_helio_braga_%28portugu%C3%AAs%29_files/original.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.heliobraga.com/h/blog_%28brasil%29/Media/original_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:174px; height:241px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Eu desenho desde criança, mas sempre cheio de pudores tanto no tema como no traço. Preocupado com proporções e partes que supostamente não deveriam ser mostradas (Nunca entendia o porquê, se no teto da Capela Sistina no Vaticano os nus de Michelangelo são uma presença constante e sempre foram permitidos e admirados).&lt;br/&gt;Daí, aconteceu Paraty, que foi uma abertura total na minha maneira ser. Não esconder mais o gay, andar sem sapatos pela cidade e sentar com o Príncipe do Brasil na praça da Matriz, usando uma sunga e nada mais. Não me preocupar em formar frases inteligentes e sim, dizer o que vinha a minha cabeça; e no desenho, o traço solto, quase um sumie japonês.&lt;br/&gt;Junto a isso tudo, as informações de Pompéia que passaram a ser uma constante em meus trabalhos.&lt;br/&gt;E assim, nos 20 e tantos anos morando nessa cidade, me transformei no que sou hoje: aberto. Se tiver vontade de chorar, choro; de gritar, grito; mesmo estando no meio do Largo da Carioca, hoje o meu jardim!</description>
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